Crise amplia alcance da Rio+20

O Globo

A Rio+20 foi uma ideia do então presidente Lula, acolhida pelo secretário-geral da ONU, Ban Kimoon, com o objetivo de verificar o quanto se havia avançado na preservação do planeta desde a Rio-92.

Há 20 anos, ela foi o grande marco do qual se originaram a Carta da Terra, as convenções sobre Biodiversidade, Desertificação e Mudanças Climáticas, uma declaração de princípios sobre florestas, a Declaração do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimento e a Agenda 21, base para que cada país elabore seu plano de preservação do meio ambiente. Em 1997, foi adotado o Protocolo de Kioto, com metas para a redução da emissão de poluentes que ampliam o efeito estufa, com destaque para o CO2.

A finalidade da Rio+20, de 20 a 22 junho, na cidade, evoluiu para uma discussão sobre crescimento sustentável, isto é, ancorado nos pilares econômico, ambiental e social, com redução das emissões de carbono associadas à vida moderna, o uso mais eficiente da energia e alternativas para prevenir o esgotamento dos recursos naturais.

São questões para ontem. Em entrevista ao GLOBO, o secretário-geral da ONU para a Rio+20, Sha Zukang, advertiu: "Se todos os emergentes, como Brasil, Índia e China, decidirem copiar o estilo de vida dos países desenvolvidos, seriam necessários cinco planetas Terra para atender ao aumento de demanda. Hoje somos 7 bilhões de pessoas; em 2050, seremos 9 bilhões."

A OCDE, que agrupa os países industrializados, divulgou relatório prevendo um colapso ambiental em 2050. Até esta data, a demanda por energia deve crescer 80%, com 85% supridos por combustíveis fósseis. Com isso, as emissões de CO2 aumentariam 50%. A temperatura global subiria entre 3°C e 6°C, acima dos 2°C estimados pelo Painel de Mudanças Climáticas da ONU.

Uma das questões é se, com o mundo em crise, haverá disposição dos países para investir na mudança dos modelos de produção e consumo. Acertadamente, o negociador-chefe do Brasil, André Corrêa do Lago, disse ao jornal que "é a crise mundial que vai legitimar o questionamento do atual modelo, que se revelou insatisfatório do ponto de vista ambiental, econômico e social". Com efeito, se tudo corresse às mil maravilhas na economia mundial, haveria maior resistência a mudar paradigmas.

Outra discussão é se o mundo deve frear o crescimento econômico para adequá-lo às necessidades de preservação do meio ambiente e dos recursos naturais. Não faz sentido, porque é o desenvolvimento que gera riquezas, empregos e renda. Necessário se faz estimular a inovação tecnológica para que a produção se dê com menor emissão de carbono por unidade de energia e, portanto, menos poluição. A economia de mercado já deu saltos qualitativos importantes no passado e pode fazê-lo novamente.

O rascunho zero do documento de trabalho da Rio+20 foi considerado vago. Mas haverá novas discussões para melhorá-lo. A próxima será nos dia 26 e 27, em Nova York, dando lugar ao rascunho n 1.

Em abril, ficará pronto o rascunho 2. E nos dias 13 a 15 de junho, no Rio, todos os negociadores fecharão o documento que os chefes de Estado e governo examinarão na conferência. Que ela aponte os caminhos em direção à chamada economia verde.

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