Relator faz 28 mudanças no Código Florestal

Tendência é de novo adiamento da votação

Sérgio Marques – O Globo

BRASÍLIA. O relator do novo Código Florestal na Câmara, Paulo Piau (PMDB-MG), propôs ontem 28 modificações no texto aprovado pelo Senado. Piau evitou mexer nos dois pontos nos quais ainda não há acordo: o uso das áreas agrícolas consolidadas que estão localizadas em áreas de preservação permanente e os dispositivos que tratam de questões relacionadas à zona urbana. Diante do impasse entre o governo, que quer a manutenção do texto do Senado, e ruralistas, que preferem o texto da Câmara, não está descartada a possibilidade de um novo adiamento da votação da proposta, prevista para a próxima terça-feira. Até ser levado a plenário, o projeto pode sofrer novas alterações.

O impasse persiste até mesmo dentro do partido do relator, o PMDB, que vem demonstrando insatisfação com sua participação no governo, e pode prejudicar os planos do Planalto. De manhã, houve reunião da bancada para discutir o assunto, mas o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), afirmou que não seria possível fechar ainda ontem uma posição sobre o texto.

- Unanimidade, pelo que eu senti, vai ser pouco provável - disse Alves.

Também ontem, houve reunião dos líderes da base aliada com os ministros Mendes Ribeiro (Agricultura) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais). Após a reunião, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que o texto será votado provavelmente na próxima terça, mas sinalizou com um novo adiamento.

Contrários ao projeto da Câmara e ao texto alterado pelo Senado, um grupo de mil manifestantes, segundo cálculos da Polícia Militar, protestou em frente ao Congresso contra o projeto do novo Código Florestal. Os manifestantes consideram a proposta um retrocesso e pediram que a presidente Dilma Rousseff vete todo o texto caso ele seja aprovado pelo Congresso.

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