Reforma de banheiro é ‘paga’ com duas mil embalagens de leite

Moradores são beneficiados por projeto do Instituto Vital Brazil. 

Materiais de qualidade são utilizados nas obras através de parceria com loja de materiais de construção

O Fluminense


O pedreiro aposentado Carlos Roberto Brunes, 62 anos, participou da construção da ponte Rio-Niterói e da rodovia BR-101, mas a obra que mais sente orgulho de ter feito foi a recém-concluída reforma na suíte de casa. O banheiro de 4 metros quadrados, que até pouco tempo não tinha nem água corrente, ganhou teto rebaixado, basculante, pia com armário, box, azulejos e um moderno chuveiro elétrico.


Apesar de só usar materiais de qualidade, a obra teve custo baixo. Tudo foi pago com duas mil embalagens de leite Longa Vida. Isso só foi possível porque o aposentado participa da Feira de Trocas Solidárias, parte do projeto Arquiteto de Família, do Instituto Vital Brazil - em parceria com a Ong Soluções Urbanas e uma loja de departamentos especializada em venda de material de construção.

O programa presta assistência técnica habitacional a 100 moradores da comunidade Vital Brazil, também em Niterói. Os beneficiados podem trocar embalagens Longa Vida pela moeda social Trocado Vital. Cada quatro litros em caixas de leite, geleia e leite condensado, equivalem a 1 Trocado Vital. Com esse dinheiro, eles compram materiais de construção, acabamento e decoração para suas casas. Para comprar um espelho de tomada, por exemplo, que equivale a TR$ 5, é preciso juntar 20 embalagens de 1 litro. O valor é estipulado segundo a importância do item para a obra. A maior procura é por tubo, cano, tinta, piso de cerâmica e torneira. Desde sua criação em 2011, já foram arrecadadas 22 mil caixas.

“Sem o projeto não poderia sonhar em ter o banheiro que tenho hoje. Se eu fosse pagar, gastaria mais de R$ 5 mil só com material”, calcula Brunes.

Sua esposa, a manicure Ilzelina da Conceição Borges, de 54 anos, é a responsável por conseguir as caixas. Ela até já criou uma promoção entre as clientes para conseguir mais embalagens. Só no mês de fevereiro a manicure juntou 540 caixas e tem planos para outras melhorias na sua casa, como a construção de um terceiro quarto e a ampliação da cozinha.

“O melhor é que nada é dado de graça. Preciso correr atrás para conseguir as embalagens e fazer as melhorias aqui em casa. Isso só valoriza o nosso esforço”, afirma Ilzelina.

Supervisão – A evolução das obras é acompanhada por arquitetos e engenheiros, que sugerem modificações quando necessário. Os projetos priorizam a eliminação de situações que comprometam a saúde e a segurança dos moradores. Práticas comuns na comunidade, como a construção de banheiro próximo ou dentro da cozinha, podem levar a doenças devido à proliferação de bactérias. Por conta da umidade, a ausência de revestimentos também pode levar a problemas respiratórios. A ação dos arquitetos procura corrigir esses erros.
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