Amazônia apresenta progresso preocupante em segmentos sociais

A floresta amazônica é conhecida internacionalmente por sua imensa biodiversidade e recursos naturais. Não bastasse o fantasma do desmatamento que continuamente perpetua a região, sabe-se agora que os 772 municípios que compõem o território da Amazônia Legal, também apresentam considerados déficits ambientais e sociais.


João Batista Cirilo | Voz da Rússia

Os nove estados da Amazônia Legal tiveram seus perfis traçado por meio do Índice de Progresso Social (IPS), que mostrou uma realidade preocupante em segmentos como água e saneamento, moradia, acesso à informação, saúde e bem-estar, direitos individuais e acesso ao conhecimento básico.

Pesquisadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), coletaram dados em fontes como Ministério da Saúde, IBGE, Anatel e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, publicados de 2010 à 2014, agrupando-os em três eixos principais: 1 – necessidades humanas básicas; 2 – fundamentos para o bem-estar e 3 – oportunidades.

O resultado aponta que, em uma escala de zero a cem, onde zero representa o pior índice e cem o melhor, a Amazônia obteve na média geral a bagatela de 57,31 pontos, quantidade inferior à média nacional (67,73). O resultado também foi inferior ao nacional em dois, dos três eixos principais.

Somente o eixo de fundamentos do bem-estar, que compreende itens como sustentabilidade dos ecossistemas, apresentou resultado satisfatório (74,85 pontos), devido a maior proporção das chamadas áreas protegidas, territórios que compreendem unidades de conservação, por exemplo, existentes na região. O pior desempenho se deu no eixo de oportunidades (48,33 pontos), que contempla itens como: direitos individuais, liberdade individual e de escolha, tolerância e inclusão.

O governo não comentou os resultados. O que dizer de segmentos como acesso ao conhecimento básico em que a média amazônica ficou 29,7% abaixo da média brasileira? É sabido que muitos dos órgãos governamentais ligados diretamente a questões ambientais tentam mascarar ou subverter certos informes, principalmente em tempos de prévias eleitorais.

Recentemente, a Organização Não-Governamental Greenpeace, denunciou a omissão de informações sobre degradação na Amazônia, por parte do governo. As informações serviriam para identificar a exploração madeireira nos diversos locais da região, identificando também as áreas onde essa exploração é feita de forma predatória e ilegal. O mapeamento da degradação florestal dos últimos três anos havia sido realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), mas os dados ainda não foram divulgados pelo governo.

Para o Imazon, a riqueza da Amazônia “vem sendo utilizada de forma predatória com constantes conflitos na disputa pelos recursos naturais. Ao mesmo tempo persistem na região problemas sociais graves e faltam oportunidades de progresso social para a grande maioria da população”. Os pesquisadores destacam ainda que o índice da Amazônia é incompatível com a sua importância estratégica em termos de recursos naturais para o Brasil.



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