Nível do Sistema Cantareira cai para 12% e do Alto Tietê, para 16,9%

Represas que abastecem a Grande São Paulo continuam a registrar queda.
Sabesb recebeu autorização para captar segunda cota do volume morto.


Do G1 São Paulo

O nível do Sistema Cantareira, conjunto de represas que abastecem parte da Grande São Paulo, voltou a cair neste domingo (24). De acordo com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) o volume de água armazenado no reservatório é de 12%, dois décimos a menos do que foi registrado no sábado (23), em que o nível atingia 12,2%.

O Sistema Alto Tietê, que também abastece parte da Grande São Paulo, também registrou queda. No sábado o nível das represas chegava a 17,1%. Neste domingo os reservatórios registraram nível de 16,9%.

Volume morto

A Sabesp informou que recebeu autorização da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento Estadual de Água e Energia Elétrica (DAEE) para iniciar a obra de captação da segunda cota da reserva técnica do Sistema Cantareira, conhecido como volume morto. A Sabesp, no entanto, não deu detalhes sobre inicio dos trabalhos, custo e começo da captação.

O pedido foi feito aos órgãos reguladores pela companhia em julho e prevê o uso de mais 116 bilhões de litros de água. O Sistema Cantareira é o principal fornecedor de água da Grande São Paulo e da capital paulista.

A crise hídrica é resultado da maior estiagem dos últimos 84 anos. Julho foi o sexto mês do ano em que choveu abaixo da média histórica na região dos reservatórios do sistema, segundo dados divulgados pela Sabesp.

Sem dar detalhes sobre as obras e início do uso da segunda cota da reserva técnica, a Sabesp informou apenas que os volumes de captações futuras serão objeto de discussão no âmbito do Grupo Técnico de Assessoramento para Gestão do Sistema Cantareira (Gtag) para recomendação aos órgãos gestores. A assessoria de imprensa da ANA confirmou ao G1 que foi dada a autorização para as obras.

O Sistema Cantareira abastece cerca de 9 milhões de consumidores na Grande São Paulo. As represas vêm secando nos últimos meses e, desde o final do ano passado, a falta de chuvas leva a capacidade a níveis alarmantes. O volume morto começou a ser explorado em 15 de maio, quando 182,5 bilhões de litros foram retirados da reserva técnica do sistema, localizada abaixo das comportas e que conta com um total de 300 bilhões de litros.

Na época do início do bombeamento da água do fundo dos reservatórios, o nível saltou de 8,2% para 26,7% da capacidade total do sistema, e água do volume morto foi incorporada ao volume útil. A reserva nunca havia sido utilizada antes porque as bombas não captam nessa profundidade.

Para retirar essa água, a Sabesp construiu uma tubulação de três quilômetros e meio e nela instalou 17 bombas flutuantes. A obra foi orçada em R$ 80 milhões.

A ANA divulgou previsão de que a água no Sistema Cantareira dura até novembro deste ano. Segundo o governo estadual em São Paulo, o volume morto garante o abastecimento até março de 2015. A expectativa é que a estação de chuvas, a partir de outubro principalmente, possa reverter o atual quadro.

Outras medidas

O governo de São Paulo tenta alternativas para minimizar a perda de água no Sistema Cantareira. Desde 1° de abril, o estado oferece um "bônus" para quem economizar água em 31 cidades da Região Metropolitana de São Paulo. Os consumidores que reduzem em 20% o uso da água em relação à média mensal têm desconto de 30% no valor da conta.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse não ver "necessidade" na aplicação de multa a moradores que consumirem água em excesso. Alckmin tinha anunciado a sobretaxa em 21 de abril para moradores abastecidos pelo Sistema Cantareira caso registrassem aumento no consumo de água. A cobrança estava prevista para começar em maio, mas não foi aplicada desde então.

O governo tenta fazer com que outros sistemas que abastecem a Grande São Paulo possam enviar água também a consumidores hoje abastecidos pelo Sistema Cantareira. Segundo a Sabesp, não há racionamento de água na região e Alckmin classificou como "atitude irresponsável" a implantação do rodízio. A afirmação contrasta com o que afirmam moradores de determinadas regiões, em especial, de bairros altos da Zona Norte da cidade.

Alckmin também defendeu a redução na vazão de água em usina hidrelétrica instalada no Rio Jaguari. O rio, que faz parte da bacia do Paraíba do Sul, abastece cidades em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Na semana passada, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) notificou a Companhia de Energia de São Paulo (Cesp) por descumprir determinação de elevar a vazão.

Isso, segundo a Aneel, pode colocar em risco o sistema de geração de energia da Light. "Primeiro o abastecimento humano de água, depois o abastecimento de animais e depois os demais itens", completou o governador de São Paulo.


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