Brasil não foi convidado para debate de acordo sobre florestas, diz ministra

Iniciativa será anunciada na Cúpula do Clima, realizada nesta terça-feira.
Izabella Teixeira disse que ONU pediu aprovação sem sugestão de alterações.


Do G1, em São Paulo

Apesar de seu papel na proteção da Amazônia, o Brasil não vai endossar uma iniciativa global antidesmatamento que deve ser anunciada na Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas, que acontece nesta terça-feira (23), em Nova York.

De acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o país “não foi convidado a se engajar no processo de preparação” da declaração. Em vez disso, segundo ela, o país recebeu uma cópia do texto da ONU, que pediu para aprová-lo sem a permissão de sugerir qualquer alteração.

“Infelizmente, não fomos consultados. Mas eu acho que é impossível pensar que pode ter uma iniciativa global para florestas sem o Brasil dentro. Não faz sentido”, disse ela, em entrevista concedida à Associated Press nesta segunda-feira (22).

Charles McNeill, conselheiro-sênior de política ambiental do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) disse que “houve esforços para chegar às pessoas do governo brasileiro, mas não houve resposta”. “Não havia vontade alguma de excluir o Brasil. É o país mais importante nesta área. Um esforço que envolve o Brasil é muito mais poderoso e impactante do que um que não envolve”, explica McNeill.

Prévia para reunião climática

Recortes de desmatamento feitos para uso na agricultura perto de Santarém (PA). Os fotógrafos Nacho Doce e Ricardo Moraes, da agência Reuters, viajaram pela Amazônia registrando várias formas de desmatamento. Foto de 20/4/2013. (Foto: Nacho Doce/Reuters)Recortes de desmatamento feitos para uso na agricultura perto de Santarém (PA). Os fotógrafos Nacho Doce e Ricardo Moraes, da agência Reuters, viajaram pela Amazônia registrando várias formas de desmatamento. Foto de 20/4/2013. (Foto: Nacho Doce/Reuters)

A declaração para florestas não foi divulgada publicamente, mas espera-se que deverá ser aprovada por muitos países, empresas e grandes grupos ambientais como uma das peças centrais da Cúpula do Clima. Embora não seja parte do processo formal de negociação, o encontro tem a intenção de construir um impulso para o um novo tratado climático que deve ser fechado no final de 2015, em Paris.

Mas as queixas do Brasil mostram armadilhas na construção de um consenso internacional sobre qualquer iniciativa ambiental. Izabella Teixeira disse que o governo brasileiro tem a preocupação de que o texto possa colidir com leis nacionais que controlam o desflorestamento na Amazônia e outras florestas. “Nossa política nacional quer acabar com o desmatamento ilegal”, explica.

A ministra disse que o país está empenhado em proteger a floresta porque ela é considerada uma das defesas naturais mais importantes do mundo no combate à elevação da temperatura, já que tem grande capacidade de absorver enormes quantidades de dióxido de carbono (CO2).

Segundo a responsável pela pasta do Meio Ambiente, o Brasil tem a meta de diminuir o ritmo do desmatamento em 3.900 km² por ano até 2020, número inferior aos 5.843 km² registrados entre agosto de 2012 e julho de 2013, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (o Inpe), responsável pelo monitoramento da floresta.


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