Situação de reservatórios é pior que na época do racionamento, diz ONS

Nível médio de água em hidrelétricas do SE e CO chegou a 21,11%.
Na mesma época, em 2001, represas registravam índice de 21,39%.


Fábio Amato
Do G1, em Brasília

Os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste, que respondem por cerca de 70% da capacidade do país de gerar eletricidade, já têm situação pior que a registrada nesta mesma época em 2001, quando o Brasil enfrentava racionamento de energia, aponta o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Usina Hidrelétrica de Três Irmãos em Pereira Barreto está com nível 0% (Foto: Reprodução / TV TEM)Em junho, nível já baixava no reservatório da usina de Três Irmãos em Pereira Barreto (Foto: Reprodução / TV TEM)

De acordo com o ONS, esses reservatórios fecharam a segunda-feira (20) com armazenamento médio de água em 21,11% de sua capacidade total. No dia 20 de outubro de 2001, o volume era um pouco maior: média de 21,39%.

O índice de 21,11% é o mais baixo registrado em um mês de outubro de toda a série histórica disponível no site do operador, que começa em 2000. Não é possível saber, porém, se é o mais baixo da história para o mês.

Entretanto, as duas regiões, somadas, têm hoje capacidade de armazenamento de água e, portanto, de gerar energia, superior à de 13 anos atrás: 205 mil MW por mês, ante 160,8 mil MW.

Situação deve piorar

Relatório do ONS publicado na sexta (17) apontou queda na estimativa de chuvas que devem chegar aos reservatórios das hidrelétricas do país neste mês de outubro. No Sudeste e Centro-Oeste, elas devem ficar em 67% da média histórica para o período.

Ainda de acordo com o operador, o nível de armazenamento dessas represas deve continuar caindo até o final de outubro e deve chegar a 19% ao final do dia 31. Se confirmado, será novo recorde negativo.

A estiagem é a causa dessa crise no setor elétrico brasileiro. Em janeiro e fevereiro, época de chuva e quando os reservatórios deveriam se encher, chegou às hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste água equivalente a 54% e 39% da média histórica, respectivamente. O índice de fevereiro é o segundo pior para o mês em 84 anos. O de janeiro foi o terceiro pior em igual período.

Termelétricas

Hoje o país possui um parque de termelétricas bem maior que em 2001. Essas usinas geram energia por meio da queima de combustíveis como óleo, gás natural e biomassa, substituindo boa parte da produção das hidrelétricas e contribuindo para poupar água dos reservatórios. Por isso, o país não passa por novo racionamento.

Nos últimos meses, o Brasil tem mantido funcionando todas as térmicas disponíveis, num esforço para economizar água das hidrelétricas. Entretanto, isso vem contribuindo para os altos reajustes nas contas de luz em 2014, já que a energia produzida por esse tipo de usina é mais cara.

Apesar da queda acentuada no nível dos reservatórios, o governo nega o risco de racionamento. No início de outubro, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), colegiado que reúne autoridades do governo, voltou a se reunir e, em nota, afirmou que o risco de faltar energia no Sudeste e Centro-Oeste em 2014 é zero e, em 2015, de 4,7%.

Empréstimo

A situação dos reservatórios também contribuiu para a disparada no preço da energia no mercado à vista, que atingiu o recorde de R$ 822,83 por MWh (megawatt-hora). E o setor elétrico, que já sofria com o aumento de custos provocado pelo uso mais intenso das térmicas, entrou em crise.

O governo teve que agir e, em março, anunciou que faria empréstimos bancários para financiar os gastos extras do setor em 2014. Foram tomados dois empréstimo, no valor total de R$ 17,8 bilhões. Assim, o governo socorreu as distribuidoras, que alegam não ter recursos para fazer frente aos gastos extras, e evitou que reajustes ainda mais altos fossem aplicados às contas de luz neste ano.

Porém, o plano prevê que esses empréstimos serão repassados às contas de luz de todos os brasileiros entre 2015 e 2017. De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), somados os juros, os consumidores terão que pagar R$ 26,6 bilhões.


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