Nível da 2ª cota do volume morto do Sistema Cantareira cai novamente

Índice de 10,6% no sábado caiu para 10,5% neste domingo, diz Sabesp.
Nível de sistema que abastece Grande SP não sobe há 214 dias.


Do G1 São Paulo

O nível da segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, registrou queda neste domingo (16) em relação a sábado (15), segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

O índice nesta manhã de domingo era de 10,5% da capacidade, sem chuva registrada nas 24 horas anteriores. No sábado, quando choveu 0,2 mm, o índice foi de 10,6%. O volume do sistema Cantareira não sobe há 214 dias.
Desde 24 de outubro a Sabesp passou a contabilizar mais 10,7 pontos percentuais no nível do sistema, referentes aos 106 bilhões de litros da segunda cota do volume morto. À época, quando o volume passou a ser contabilizado, a medição saltou de 2,9% para 13,6%. Entretanto, apesar da inclusão dos percentuais, a companhia informava que ainda não fazia a captação da nova cota.

Na quarta-feira, o superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), Alceu Segamarchi Júnior, adiantou que a própria Sabesp afirmou em que provavelmente começaria a usar a segunda cota da reserva técnica neste sábado (15). Como não houve recuperação no nível das represas por causa das chuvas recentes, a previsão da companhia se concretizou.

Para a Agência Nacional de Águas (ANA), a captação da segunda cota em ao menos uma das represas que integram o sistema já tinha começado no mês passado, quando a Sabesp ainda não tinha obtido autorização para a captação. O governo do estado de São Paulo negou a irregularidade.

Outros sistemas

O Sistema Alto Tietê também teve nova queda neste domingo. O volume que estava em 7,4% no sábado chegou a 7,2%. No Guarapiranga, a queda foi 34,8% no sábado para 34,6% neste domingo.

O Sistema Alto Cotia caiu de 29,4%, no sábado, para 29,3% neste domingo. No Rio Grande caiu, no mesmo período, de 65,7% para 65,6%. No Sistema Rio Claro, teve queda de 36,4% para 36%.

Reajuste em dezembro

Na sexta-feira (14), executivos da Sabesp informaram que o reajuste de tarifas pedido pela Sabesp para aplicação em dezembro deve ser maior que os 5,44% acertados no começo do ano, mas suspenso antes das eleições de outubro.

A empresa, controlada pelo governo do Estado de São Paulo, conseguiu o reajuste em meados de abril, mas na época a Arsesp, agência reguladora do setor, autorizou a aplicação do aumento das tarifas em "momento oportuno".

No caso, o momento oportuno foi dezembro, conforme comunicado da empresa na noite de quinta-feira ao mercado.

Na sexta-feira, o diretor financeiro da Sabesp, Rui Afonso, afirmou a analistas em videoconferência que o reajuste pretendido "deverá ser maior que os 5,44%", diante da necessidade de correção monetária. Ele não comentou qual será o índice a ser aplicado.

O processo de revisão tarifária deveria ter sido concluído em agosto de 2013, mas passou por uma série de adiamentos.

Equilíbrio financeiro

Segundo Afonso, entre os motivos citados pela Sabesp para pleitear o reajuste está necessidade de apoiar o equilíbrio financeiro da companhia, que fechou o terceiro trimestre com queda de 81% no lucro líquido, a R$ 91,5 milhões. A margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustada caiu de 37,6% para 26,3%.

O resultado foi pressionado por forte aumento de custos num ano que a empresa está revendo investimentos e operações para focar na garantia do abastecimento de água da população, numa das piores crises de água vividas pelo Estado de São Paulo nos últimos anos.

Afonso afirmou que a empresa está monitorando com atenção suas obrigações financeiras, chamadas de "covenants", para evitar descumprimento de termos acertados com credores em 2015.

"Os covenants estão sendo monitorados e, para 2015, todos os covenants relacionados à dívida líquida ou bruta sobre Ebitda sofrerão especial atenção para evitarmos qualquer descumprimento", disse Afonso. Segundo ele, as métricas de endividamento serão cumpridas por meio de cortes de custos e do aumento das tarifas da empresa.

No terceiro trimestre, relação de dívida sobre Ebitda ajustado cresceu para 2,4 vezes, ante 1,9 vez no primeiro trimestre, segundo dados da companhia.

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