UE pede a Brasil e emergentes que anunciem corte de emissões pós-2020

Metas seriam apresentadas na COP 20 e integrariam novo acordo climático.
UE, EUA e China já sinalizaram contribuições para reduzir gases-estufa.


Eduardo Carvalho
Do G1, em Lima

A União Europeia disse nesta segunda-feira (1) que Estados Unidos e China, países que sinalizaram cortes de emissões de gases-estufa, precisam detalhar melhor seus planos de mitigação e que Brasil, Índia e Rússia, nações em desenvolvimento, têm que colocar na mesa suas contribuições nacionais para incentivar outros governos.

A cobrança, de forma leve, foi feita por Elina Bardram, negociadora do bloco europeu, em coletiva de imprensa realizada no primeiro dia da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 20, que acontece em Lima, no Peru.

O encontro, que segue até o dia 12 de dezembro, tenta obter um rascunho zero de um acordo multilateral que vai obrigar as nações a diminuir as emissões a partir de 2020. O objetivo é conter a elevação da temperatura do planeta em até 2ºC para evitar alterações no clima que culminem em desastres naturais.

Elina ressaltou que os estados-membros da UE saudaram EUA e China pelo acordo anunciado no mês passado, porém, “precisam saber mais” sobre o que foi proposto. Enquanto os americanos divulgaram que reduzirão entre 26% e 28% suas emissões até 2025, em relação aos níveis de 2005, os chineses se comprometeram a fazer o corte até 2030, sem especificar a quantidade. No entanto, ambos os países não apresentaram como vão fazer isso ou quais setores serão afetados.

“Vamos nos reunir com eles [EUA e China] para saber que intensidade terão essas metas e precisamos saber ainda como elas funcionarão a longo prazo”, explicou Elina. Uma coletiva com representantes do governo americano estava marcada para a tarde de segunda, mas ninguém apareceu. A China ainda não conversou com jornalistas na COP 20.

Brasil e outros emergentes

A UE também anunciou no mês passado que vai cortar 40% dos gases lançados até 2030 em relação aos níveis de 1990. Sabendo do compromisso assumido pelo bloco, Elina “convocou” Rússia, Índia e Brasil, países em desenvolvimento que são grandes emissores, a apresentar na COP de Lima suas metas para o período pós-2020.

“Precisamos do esforço brasileiro e dos demais para saber como podemos nos preparar para Paris [quando o novo tratado do clima deverá ser aprovado e assinado]. Esperamos que todos que estão em posição de apresentar suas metas deem um passo a frente para conduzirmos o processo adiante”, disse.

As propostas de diminuição de poluentes se enquadra nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (INDCs). Cada país membro das Nações Unidas e que negocia dentro da Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas, a UNFCCC, precisa apresentar até março do ano que vem sua proposta de mitigação. Ainda não há uma metodologia padrão sobre como fazer os INDCs, já que os termos estão em negociação na conferência do Peru.

Situação de pressão

De acordo com Marcio Astrini, coordenador de políticas públicas da organização Greenpeace, a posição da União Europeia, além dos anúncios dos EUA e da China, coloca o Brasil “em uma situação de pressão como nunca antes”. Segundo ele, o país ficou por muito tempo “em uma zona de conforto” por ter apresentado metas voluntárias de emissões e reduzido o desmatamento da Amazônia. “Mas agora o cenário está mudando”, disse ele.

O negociador brasileiro Raphael Azeredo, diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores, disse ao G1 que o país vai apresentar seus números de redução de emissão apenas em 2015, conforme solicitado pela convenção do clima. “Estamos trabalhando com afinco, intensamente, e vamos apresentar os números dentro do prazo. Não podemos antecipar isso porque dependemos de consultas internas”, explicou.

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