Apesar de fogo no Parque Nacional, outros pontos turísticos da Chapada dos Veadeiros seguem abertos

Locais como o Vale da Lua e a Cachoeira dos Cristais estão recebendo visitantes, em Alto Paraíso de Goiás; incêndio já destruiu 26% da área da reserva.


Por Vitor Santana | G1 GO, Alto Paraíso de Goiás

A região da Chapada dos Veadeiros, apesar do incêndio que atinge o Parque Nacional há mais de duas semanas, tem vários pontos turísticos abertos para visitação, em Alto Paraíso de Goiás, na região norte do estado. Muitas pessoas desistiram de visitar a cidade por conta da suspensão de visitas na reserva, entretanto, existem outros atrativos que estão fora do parque e seguem abertos ao público (veja abaixo).

Vale da Lua é uma das principais atrações da Chapada dos Veadeiros que segue aberta (Foto: Vitor Santana/G1)
Vale da Lua é uma das principais atrações da Chapada dos Veadeiros que segue aberta (Foto: Vitor Santana/G1)

De acordo com Fernanda Sousa, recepcionista de uma pousada, muitos turistas estão com medo do incêndio. "Tem gente ligando toda hora perguntando como está a situação, querendo cancelar a reserva. Acham que se vierem, correm o risco de saírem queimados. Aí explicamos que o parque está fechado, mas existem outras opções. Todo final de semana ficamos com todos os quartos cheios e nesse temos alguns vazios".

"Nos feriados, as vagas se esgotam com uma semana de antecedência. Para esse agora, temos 60% dos quartos livres", revelou.

O parque tem 240 mil hectares e é apenas uma parte da região da Chapada dos Veadeiros, que abrange diversos municípios. O guia Marcos Cruz também conta que também sentiu uma diminuição no número de pessoas na cidade.

"Com quem você conversa que trabalha nessa área, todo mundo fala que houve uma diminuição na procura, cancelamentos. Até de reservas que estavam feitas para o fim do ano. Mas só em Alto Paraíso tem mais de 20 outras atrações que estão abertas", disse.

A secretária de Turismo da cidade explica que a queimada no parque trouxe um impacto que ainda não pode ser medido com precisão. "Tem o impacto ambiental, acima de tudo, danos patrimoniais com casas atingidas pelo fogo e também a queda no movimento. Porém, esse último só vai poder ser medido com precisão durante o feriado", relatou.

Ela conta ainda que a secretaria tem alertado os turistas de que não há risco de se visitar a região da Chapada dos Veadeiros e que existem várias atrações.

Veja algumas opções de cachoeiras que seguem abertas

  • Catarata dos couros
  • Louquinhas
  • Cachoeira dos Cristais
  • São Bento e Almécegas
  • Dragão, macaco e macaquinho
  • Vale da lua
  • Rio Raizama
  • Cachoeira do segredo
  • Morada do Sol
  • Águas termais
  • Anjos e arcanjos
  • Poço encantado
  • Santa Barbara
  • Capivara
  • Complexo do Prata
Cachoeira dos Cristais, em Alto Paraíso de Goiás, segue aberta para visitação (Foto: Elisângela Nascimento/G1)
Cachoeira dos Cristais, em Alto Paraíso de Goiás, segue aberta para visitação (Foto: Elisângela Nascimento/G1)

Saúde

Apesar de ser a maior queimada da história do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o fogo pouco afetou a saúde dos moradores de Alto Paraíso. Mesmo com o tempo seco, não houve aumento na procura por atendimento médico.

"Todo ano acontece alguma queimada e sempre estamos preparados para atender pessoas com alguma intoxicação ou queimadura. Esse ano o incêndio foi de uma proporção jamais vista. Aumentamos nossos preparativos, mas para nossa surpresa, felizmente, não tivemos nenhum queimado e ninguém intoxicado com fumaça", esclareceu a secretária de Saúde, Bruna Mara Campos do Nascimento.

A grande quantidade de voluntários trouxe preocupação inicial para os médicos. "Eles geralmente não possuem todos os equipamentos de proteção ou o treinamento necessário, mas não houve qualquer acidente. Às vezes íamos até a base de comando, no aeroporto, e uma ou outra pessoa falava que tinha sentido um leve mal estar, mas que tinha passado rapidamente. Então, para um evento desse tamanho, não ter nenhum incidente e nem aumento na demanda de pacientes com problemas respiratórios, isso é surpreendente", complementou a secretária.

Os moradores de Alto Paraíso de Goiás relatam que o incêndio não afetou outros setores da cidade. "Mesmo eles usando tanta água para combater o incêndio, não houve falta de abastecimento nas casas. Também não houve problema no fornecimento de energia, tudo foi normal", contou o auxiliar de serviços gerais, Rogério Dantas Pereira.

Apesar do céu aparentar estar sempre fechado, nublado, devido a fumaça, nem mesmo a fuligem atingiu os moradores de Alto Paraíso. "A gente via as nuvens de fumaça, mas elas não chegavam tanto à cidade. Tanto que você não vê sujeira de queimada na rua, nas casas. Nas comunidades ou casas mais isoladas bem próxima ao parque, pode ter tido esse problema, mas não aqui", relatou o atendente Ricardo Alves.

Incêndio

O primeiro foco do fogo começou no dia 10 de outubro. As chamas foram controladas, mas novos focos surgiram no dia 17 do mesmo mês. Bombeiros e voluntários trabalham para extinguir o incêndio, já considerado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) o maior da história do Parque Nacional.

A Polícia Civil suspeita que o incêndio seja criminoso. "A parte mais rasteira da vegetação, as áreas de campo limpo, campo sujo, já começam a se regenerar seis meses após as primeiras chuvas. Cerca de 80% dessa parte já volta ao normal nesse período. Dentre de um ano e meio, o restante se regenera", explicou ao G1 Christian Berlinck.

O Ministério Público Federal (MPF) também abriu inquérito civil para apurar as causas do incêndio.

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