Satélite ajuda a monitorar desmatamento no Brasil com mais precisão

Instituto usa radar da Agência Espacial Europeia, capaz de monitorar terremotos e vulcões. Tecnologia tem um alvo especifico: madeireiros.


Jornal Nacional

Um satélite que ajuda a monitorar o desmatamento no Brasil com mais precisão detectou que a área devastada na Amazônia pode ser maior do que se imaginava.

pag35 1 Desmatamento da Amazônia
Prodes Digital (Imagem: Inpe)

Amazônia é uma fábrica de nuvens. A umidade que brota da floresta deixa o céu carregado durante seis meses do ano. Nesse período mais chuvoso, os satélites não conseguiam enxergar a região toda.

“Em alguns meses chegava a 80%, 90% de cobertura de nuvens para a região, Então, isso praticamente inviabilizava o monitoramento do desmatamento”, destaca Antonio, pesquisador do Imazon.

Mas agora o vento sopra a favor dos pesquisadores. O Imazon, instituto que há mais de 30 anos faz pesquisas na Amazônia, começou a utilizar um radar da Agência Espacial Europeia, capaz de monitorar terremotos e vulcões.

Nas florestas, a vantagem é que o radar consegue detectar o desmatamento mesmo com a presença de nuvens e até durante a noite.

Em dezembro, esse novo sistema registrou 184 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia. No mesmo período de 2016, quando o Imazon ainda não utilizava o radar, a destruição detectada foi de nove quilômetros quadrados.

Os pesquisadores dizem que essa nova tecnologia tem um alvo especifico: madeireiros que, tradicionalmente, costumam derrubar a mata os meses mais chuvosos do ano para escapar dos satélites. Mas o Imazon também faz um alerta: não basta ter um sistema moderno de monitoramento se não houver fiscalização.

“Essa nova informação que está sendo gerada com esses novos sensores ela só vai ter realmente uma efetividade no combate ao desmatamento se você tiver uma ação mais efetiva no campo para combater, para penalizar quem está infringindo a lei”, afirma o pesquisador.

O Ministério do Meio Ambiente declarou que reconhece a importância do monitoramento que o Imazon faz, mas que os dados oficiais, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, mostram queda no desmatamento na região amazônica e que vai manter os esforços para reduzi-lo.

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