Turismo para ver tubarão-baleia faz México criar medidas para reduzir impacto

No estado de Baixa Califórnia Sul são várias as agências que oferecem tours nos quais os visitantes podem fazer snorkel entre exemplares do maior peixe do mundo.


Isabel Reviejo | EFE

Nadar com tubarões-baleia, criaturas que podem chegar a 18 metros, é uma das atividades mais procuradas na Baía de la Paz, mas, no entanto, ela pode colocar em risco a integridade do peixe, por isso, as autoridades do noroeste do México tentam impulsionar um turismo responsável.

Foto cedida por Newlink/ EFE.

“Durante a temporada passada, cerca de 62% dos tubarões-baleia que visitavam a Baía de la Paz foram afetados pelas atividades turísticas”, afirmou à Agência Efe Benito Bermúdez, diretor regional da Comissão Nacional de Áreas Naturais Protegidas.
No estado de Baixa Califórnia Sul são várias as agências que oferecem tours nos quais os visitantes podem fazer snorkel entre os exemplares do maior peixe do mundo.

Para evitar a superexploração da área de observação onde esses animais se reúnem, as autoridades estabeleceram limites para escalonar a entrada dos operadores turísticos.

Atualmente, explicou Bermúdez, são permitidas no máximo 14 embarcações na região. Além disso, foi implementado um sistema de acompanhamento via satélite com o qual é possível constatar em tempo real onde estão os barcos.

“Isto nos permitiu ordenar a atividade, para que a quantidade de tubarões afetadas diminua”, apontou.

Durante a última temporada de férias, que vai de 18 de dezembro a 7 de janeiro, a baía registrou cerca de 8 mil pessoas que foram ver o tubarão-baleia.

O Rhincodon typus se caracteriza por sua pele cinza, cheia de potinhos brancos que o ajudam na hora de se camuflar, bem como pela cor clara de seu ventre. A cabeça é grande e achatada, com uma enorme boca com a qual captura grandes quantidades de plâncton, seu principal alimento.

A limitação do acesso é um das medidas contempladas no plano de manejo publicado pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais, que também inclui outras medidas como conservar uma distância mínima de dois metros com relação à cabeça e de três da cauda do exemplar, e que as embarcações mantenham velocidades menores a 5,5 quilômetros por hora na zona habitada pelo tubarão-baleia.

Alejandra Ibarrola, prestadora de serviços turísticos no centro “The Cortez Club”, disse que na região foi notado um “indicador importante” em relação com a recuperação: o tamanho maior dos tubarões.

“Em anos anteriores, se dizia que os exemplares que vinham à baía eram sobretudo jovens, ou seja, de menor tamanho, entre dois e cinco ou seis metros“, mas agora estamos vendo tubarões-baleia maiores.

“A diminuição do tamanho é um sinal muito claro de pesca predatória, por isso que encontrar no local alguns que rondam os 10 metros indica que a população está se recuperando”, disse Ibarrola.

Para os visitantes, ver de perto os tubarões-baleia – algo que é possível pelo caráter afável destes peixes – é uma vivência impactante.

“É espetacular. É a primeira vez que vimos e é uma experiência única”, comentou o turista Mario Rodríguez.

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