Suspeita de vazamento em mineradora no Pará faz moradores temerem sofrer a mesma tragédia de Mariana

"Sábado era muita água, invadiu aqui de água. A gente tem medo de correr o risco de viver o mesmo que o povo de Mariana", revela a lavradora Mária José Souza.


Por G1 PA, Belém

Moradores de Barcarena, nordeste do Pará, temem passar por desastre semelhante ao que inundou Mariana, em Minas Gerais. A comunidade ficou assustada com um possível vazamento de rejeitos de uma mineradora no último sábado (17). Fotos feitas no município mostram uma alteração na cor da água do rio, que invadiu as casas próximas à empresa.

O MPPA fez vistoria nas áreas operacionais da Hydro Alunorte e entorno da empresa, em Barcarena (PA). (Foto: Divulgação / MPPA)
O MPPA fez vistoria nas áreas operacionais da Hydro Alunorte e entorno da empresa, em Barcarena (PA). (Foto: Divulgação / MPPA)

"Sábado era muita água, invadiu aqui de água, num deu tempo da gente sair. Inundou tudo. A água bem vermelha, vem tipo uma piçarra, é aqueles resíduos. Já tinha dado várias chuvas, mas nunca alagou como foi aqui. A gente tem medo de correr o risco de viver o mesmo que o povo de Mariana, dormir e não acordar nunca, que a lama vai levar nós tudo", revela a lavradora Mária José Souza.

Segundo o lavrador Raimundo Cunha, a comunidade ficou com medo de pegar doença com a água que invadiu as casas. "Foi muita chuva, veio água de lá [apontou na direção da mineradora]. Era água vermelha, preta e barrenta. isso aqui encheu tudo. Era uma lama podre. A gente ficou com medo das crianças passarem, uma lama dessa tem doença", Raimundo Cunha, lavrador.

Inspeções

Testemunhas dizem que a lama teria vindo da mineradora Hydro Alunorte, que processa bauxita a dois quilômetros da comunidade. No fim de semana, fiscais da Secretaria do Meio Ambiente do Pará e promotores do Ministério Público fizeram uma inspeção na empresa.

Os órgãos garantem que não houve vazamento e nem rompimento nos depósitos de rejeitos de bauxita da mineradora. No entando, as fotos feitas no fim de semana mostram água e lama escorrendo sobre a barragem.

A mineradora garante que a água não atingiu diretamente os rios da região porque existe um sistema de drenagem monitorado regularmente, que leva a água pra uma estação de tratamento. Mas a Prefeitura de Barcarena, que também fez vistoria na empresa acabou notificando a empresa por verificar falhas no sistema de drenagem que precisam ser corrigidas para evitar possíveis problemas ambientais.

O Ministério Público do Pará abriu dois inqueritos pra apurar as denúncias. Peritos do Instituto Evandro Chagas coletaram amostras de água, e o laudo fica pronto na quinta-feira (22). O Conselho Estadual do Meio Ambiente solicitou que a OAB-PA realize uma audiência pública, em caráter de urgência, para tratar sobre as denúncias. A Câmara dos Deputados criou uma comissão externa, composta por quatro deputados federais, para averiguar o possível rompimento.

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