Após rompimento de mineroduto, Prefeitura de Rio Casca diz que rejeito de minério chega a ponto de captação de água

Anglo American informou que um ponto do Rio Casca registrou índice de turbidez acima do limite legal e que vai retirar as partículas maiores no Ribeirão Santo Antônio e fazer a limpeza da calha.


Por Bom Dia Minas e G1 MG, Belo Horizonte

O secretário de Administração da Prefeitura de Rio Casca, José Geraldo Gonçalves, informou na noite desta terça-feira (13) que o rejeito de minério já chegou ao ponto de captação de água para abastecimento da cidade. Na segunda-feira (12), a tubulação de um mineroduto da Anglo American se rompeu em Santo Antônio do Grama, na Região da Zona da Mata, em Minas Gerais.

Tubulação de mineroduto se rompe em Minas (Foto: Reprodução/TV Globo)
Prefeitura de Rio Casca diz que rejeito de minério chegou a ponto de captação de água

Segundo ele, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) está monitorando a qualidade da água e nesta quarta-feira (14) vai decidir com o prefeito como vai ficar o fornecimento de água potável para os moradores do município de Rio Casca.

A Anglo American informou que monitoramentos ao longo de terça no Ribeirão Santo Antônio mostraram uma melhora significativa da qualidade da água. O rejeito de minério chegou ao Rio Casca, mas bastante diluída, e não comprometeu a qualidade da água. A Estação de Tratamento de Água (ETA) de Rio Casca opera normalmente. O trabalho de retirada de sedimentos da calha do curso d'água começa nesta quarta.

A empresa disse também que está distribuindo água mineral para os moradores de Santo Antônio do Grama e que um sistema de bombeamento de água do Córrego Salgado vai permitir o abastecimento de metade da cidade.

Pedido de bloqueio


O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ajuizou, nesta terça-feira, uma ação civil pública, pedindo o bloqueio imediato de R$ 10 milhões da Anglo American. O Ministério Público Federal (MPF) também abriu um inquérito para apurar o incidente.

Com o rompimento da tubulação do mineroduto, nesta segunda-feira (12), polpa de minério de ferro foi lançada no Ribeirão Santo Antônio. A água ficou marrom, e a captação e o abastecimento precisaram ser suspensos.

Na ação, o MPMG pede que a Anglo American adote medidas para parar, imediatamente, o vazamento de substâncias do mineroduto e a contaminação do meio ambiente. Além disso, quer que a empresa seja obrigada a, no prazo de 72 horas, fazer a contenção e posterior retirada e destinação dos poluentes.

O Ministério Público ainda quer que a Justiça, ao fim do julgamento da ação, fixe a responsabilidade da Anglo American pela reparação integral dos danos ao meio ambiente, à saúde e aos consumidores de serviço de abastecimento de água.

A Anglo American declarou que ainda não foi notificada sobre a ação do Ministério Público e nem pelo Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

População sofreu com falta de água

Cerca de 4,1 mil pessoas ficaram sem água desde esta segunda. Para o pedreiro Júlio Moreira, ficou difícil tocar a obra em que está trabalhando. “Fala que vai dar jeito, dar jeito, dar jeito e, desde ontem [segunda], meio-dia, que está dessa forma”, disse.

Nesta terça, estudantes de uma escola estadual foram liberados mais cedo. As aulas à tarde foram suspensas. Enquanto o abastecimento não for restabelecido, moradores se viram buscando água em uma bica.

A prefeita de Santo Antônio do Grama, Alcione Albuquerque (PP), reuniu-se com representantes da Anglo American e cobrou uma medida emergencial. “Eu quero que solucione esse problema, imediatamente, sem burocracia porque o povo não pode esperar. Enquanto isso, estamos exigindo que venha água mineral”, disse a prefeita.

À tarde, a empresa disponibilizou nove caminhões-pipa para abastecer a estação de água da cidade.

De acordo com a Copasa, os caminhões não vão garantir o abastecimento de água para a cidade e será preciso fazer a captação em outro córrego: o Salgado. A mineradora disse que vai trabalhar junto da companhia para captar água.

Obras estão sendo feitas no local do rompimento, e as atividades na estação de bombeamento da mineradora estão suspensas até que o reparo da tubulação seja concluído. A Anglo American informou que as causas do incidente estão sendo investigadas.

Segundo a empresa, 300 toneladas de minério vazaram da tubulação. A mineradora informou que instalou diques que funcionam como filtros e que está monitorando a qualidade da água.

"São sete barreiras de contenção colocadas próximo ao local do acidente e elas servem para filtrar o sendimento, o minério de ferro. Tudo que é sólido fica retido por essas barreiras de contenção e passam só os líquidos. E, abaixo dessas barreiras, a inspenção visual demonstra a normalidade da água", disse o diretor de Assuntos Corporativos, Ivan Simões.

Já o Núcleo de Crimes Ambientais (Nucrim) do MPMG, diz que houve o vazamento de 450 m³ de minério durante aproximadamente 45 minutos, seguido de injeção de água disponível na estação para conter o minério dentro do duto.

Equipes do Ibama, do Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), do MPF e do MPMG passaram o dia avaliando a extensão dos danos ambientais.

“Neste momento, o trabalho que nós estamos fazendo. É esse trabalho inicial, esse levantamento inicial, na emergência, e autos de fiscalização sendo lavrados para servirem de subsídio técnico à elaboração do auto de infração”, destacou o subsecretário de Fiscalização Ambiental, Cláudio Vieira Castro.

Mineroduto

A Anglo American extrai minério de ferro em Conceição do Mato Dentro, onde ele é misturado com água para produzir uma polpa. Esse material é bombeado para o mineroduto, que passa em Santo Antônio do Grama.

A instalação de 529 quilômetros também passa pelo Rio de Janeiro. No Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), o minério de ferro é separado da água e embarcado em navios para exportação. A água eliminada é tratada e jogada no mar.

Segundo a Anglo American, o mineroduto, inaugurado em 2014, é o maior do mundo. A empresa diz que é um meio de transporte seguro, monitorado em todo o trajeto. Diz ainda que tem um plano de emergência para o caso de vazamentos, que, mesmo sendo raros, podem ocorrer, e, de acordo com a própria mineradora, causar danos ao meio ambiente.

De acordo com a mineradora, o material que vazou é considerado resíduo não perigoso.

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