Poluição atmosférica se transforma em problema nacional na Polônia

Os elevados níveis de poluição atmosférica se transformaram em um problema nacional na Polônia, onde o governo alegou que fará todo o possível para reduzir as emissões, mas organizações ambientais denunciaram que a economia do país continua dependendo do carvão.


EFE

"Acreditamos que o governo não faz o suficiente e, apesar de garantir que a luta contra as emissões é uma das suas prioridades, não muda a nossa matriz energética e mantém os investimentos no setor do carvão, um dos combustíveis mais poluentes", declarou à Agência Efe a porta-voz na Polônia do grupo WWF, Katarzyna Karpa-Swiderek.


Vista da capital polonesa, Varsóvia. EFE/Bartlomiej Zborowski
Vista da capital polonesa, Varsóvia. EFE/Bartlomiej Zborowski

Para ela, seria importante "uma mudança significativa" na política energética na Polônia, "uma decisão corajosa para passar da dependência do carvão às energias verdes".

Os poloneses respiram um ar com quase 30 vezes mais partículas cancerígenas do que há dez anos e as autoridades são incapazes de frear uma situação que provoca todos os anos 50 mil mortes prematuras no país por doenças relacionadas à qualidade ruim do ar, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"O governo disse que em nove anos terá reduzido as emissões de maneira significativa, mas esse é um período muito longo, e no qual muitas outras mortes prematuras vinculadas à poluição acontecerão", alertou a porta-voz do WWF.

No dia 22 de fevereiro, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) condenou a Polônia por superar os limites de contaminação do ar por concentrações de partículas inaláveis PM10 em várias regiões e aglomerações de forma contínua. A UE acusa o país de não respeitar com os valores diários e anuais aplicáveis às concentrações de PM10 e por não cumpriu corretamente com os planos estipulados para a qualidade do ar.

Essas partículas são compostas por uma mistura de substâncias orgânicas e inorgânicas que estão no ar e podem conter substâncias tóxicas, como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, metais pesados e furano. Como resposta, o primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, garantiu que a luta contra a elevada contaminação atmosférica passará a ser uma prioridade de sua gestão.

Em entrevista coletiva, ele anunciou um plano para melhorar o isolamento térmico das casas. Isso permitirá a redução da potência das calefações, uma das principais causas da contaminação atmosférica na Polônia, junto com o uso dos automóveis e as emissões da indústria.

"Não precisamos que a União Europeia nos diga o que já sabemos, nós sentimos a poluição todos os dias, e este inverno está sendo muito difícil em muitas cidades. Em alguns dias mal podemos respirar e aí as pessoas são obrigadas a usar máscaras. Até as crianças deixam de ir à escola", disse Karpa-Swiderek.

A OMS localiza na Polônia 33 das 50 cidades mais poluídas da Europa, a maioria nas áreas mineradoras da Silésia, mas também é possível perceber a poluição em zonas florestais das montanhas, ao sul, e perto do Mar Báltico, no norte.

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