Elefanta de 52 anos faz tratamento para se mudar da Argentina para o Brasil

A elefanta Pelusa vive hoje no Zoológico de La Plata, a cerca de duas horas do centro de Buenos Aires. Sua mudança faz parte da nova vida para animais liberados dos Zoos na Argentina.


Fabián Debesa | Clarín

Um tratamento intenso e cuidadoso tenta colocar em forma a elefanta Pelusa, de 52 anos, que está no zoológico da cidade de La Plata. Ela deverá viajar para ir morar no Brasil. Os responsáveis pelo atendimento sanitário afirmam que todos os passos do plano nutricional estão sendo cumpridos e que nos últimos meses o animal mostrou melhoras "físicas e de ânimo".


El experto Rinku Gohain dio los primeros indicios sobre la salud de Pelusa.
Pelusa está magrinha

Pelusa fará a viagem de quase 3.000 quilômetros até um santuário de animais no Mato Grosso. O percurso durará entre 4 e 5 dias e o translado envolverá uma caravana de quase 20 pessoas, um caminhão, um trailer, o "ambiente de transporte" (um grande contêiner) e um guindaste.

A data de saída? Ainda não se sabe.

"Tudo dependerá dela. Que ela se adapte à caixa, que consiga subir, que aprenda a sair, que possa se acomodar para a longa viagem", explicaram os profissionais que a atendem no zoológico platense. Um cálculo otimista estima a viagem para o fim do outono ou começo da primavera.

Para o olhar dos visitantes ocasionais do zoológico esse diagnóstico parece inverossímil. O mamífero mostra sintomas visíveis de deterioro e parece caminhar sem vontade em um espaço de cerca de 2.000 metros quadrados reservado para ela.

"Esse é um animal adulto, que está entrando na velhice e que foi muito mal cuidado por muitos anos”, explicou o subsecretario de Gestão Ambiental de La Plata, Germán Larrán.

"Pelusa tem 52 anos e estas espécies podem viver até 70 ou 75 anos. Faz anos que ela está doente, com algo semelhante à artrose dos humanos", disse o responsável da área ao Clarín.

A equipe ​

Uma equipe multidisciplinar de especialistas americanos, brasileiros e argentinos avaliou as chances de a elefanta passar seus últimos dias em um santuário de animais no Mato Grosso. Em dezembro, o especialista indiano, Rinku Gohain, considerado um sábio no tratamento de elefantes, passou 15 dias na Argentina e elaborou um programa de orientação e dieta com práticas motivacionais para incentivá-la a se movimentar.

Dieta especial

Foram incorporados carboidratos, fibras (nova combinação de pasto natural) e substâncias que melhorarão a assimilação dos alimentos. A ideia é melhorar a massa muscular. Essa é uma tarefa complexa para um animal em idade avançada. O esforço aponta a fazer com que Pelusa possa entrar em uma caixa gigante que a levará por quase dois meses até seu destino definitivo, o Santuário da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, Brasil. É uma viagem que implica riscos. "Mas não temos opção. Ela não pode continuar aqui", dizem veterinários e especialistas.

A comitiva que elaborará os protocolos para a viagem está em La Plata e é composta pela diretora de Bem-estar Animal do ‘Global Sanctuary for Elephants’, Kat Blais; pela consultora e especialista da entidade, Suzanne Garrett; e pela representante da Fundação Franz Weber na Argentina, Alejandra García.

“A viagem de Pelusa para o Brasil é um processo que ela precisa assimilar e ao qual precisa se adaptar. Por isso nós traremos o box algum tempo antes para ela conhecê-lo, poder se adaptar e se familiarizar”, disse Larrán.

Os paquidermes andam de 25 a 50 quilômetros por dia. Pelusa nunca pôde fazer isso e é possível que jamais se adapte. Mas terá a chance de conviver com dois outros elefantes em uma superfície de 1.000 hectares para tentar criar o hábito de caminhar.

Fim do Zoo

O Zoológico de La Plata será transformado em um ecoparque temático, tendência que se expressa também em outras cidades da Argentina e do mundo.

As autoridades municipais de La Plata, que administram o zoológico, decidiram começar a deslocar paulatinamente os animais para outros hábitats mais amigáveis. Já foram deslocados e libertados mais de 80 animais. Além disso, foram dispostas a proibição de entrada no estabelecimento, o controle de natalidade dos animais e a liberação das espécies autóctones que puderem se readaptar ao seu meio natural.

Outros destinos

Em 2016, a Estação de Criação de Animais Silvestres (ECAS) de Villa Elisa, na província argentina de Entre Ríos, recebeu a búfala ‘Milu’ em junho e ‘Gino’, um exemplar macho de veados ‘Dama’, em outubro. Em dezembro, dois lêmures ‘Catta’ (mãe e filhote) foram levados para um espaço similar em uma ilha arborizada no Ecoparque de Batán, na província de Buenos Aires, sem grades, nem cimento nem vidros, onde vivem em situação de semiliberdade.

Em dezembro de 2017, quatro burros anões (um macho e três fêmeas) foram levados para o Santuário Equidad, um espaço localizado em Cruz del Eje, na província argentina de Córdoba. Também foram retirados 23 ovinos, entre ovelhas da Somália, muflões e híbridos, e levados para o parque temático ‘Costa Salvaje’, um terreno localizado em General Lavalle, na província de Buenos Aires.

Em meados de março de 2018, duas capivaras do Bioparque e dois veados da 'República de los Niños', que é um espaço histórico em La Plata, foram levados para a ECAS. E 19 pássaros foram transportados para o Sendero del Monte, na província de Entre Ríos, onde foram liberados.

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