Para FAO, bioeconomia pode alimentar o mundo e salvar o planeta

A economia baseada no cultivo e uso de biomassa pode ajudar a combater as mudanças climáticas e a poluição, disse a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na sexta-feira (20), durante Cúpula Global de Bioeconomia. O evento realizado em Berlim discutiu alternativas de utilização de materiais orgânicos para produção de bens materiais e alimentos.


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Transformar casca de abacaxi em embalagem ou usar casca de batata como combustível pode parecer improvável mas estas inovações ganham força quando fica claro que uma economia baseada no cultivo e no uso de biomassa pode ajudar a combater a poluição e as mudanças climáticas. A afirmação foi feita pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) durante a Cúpula Global de Bioeconomia de 2018, em Berlim, na Alemanha.


Casca de abacaxi pode ser transformada em embalagem biodegradável - Foto: Ezequiel Becerra/FAO
Casca de abacaxi pode ser transformada em embalagem biodegradável – Foto: Ezequiel Becerra/FAO

“Uma bioeconomia sustentável, que utiliza biomassa – materiais orgânicos, como plantas e animais – em oposição aos recursos fósseis para produzir bens materiais e alimentos, é fundamental para a natureza e para as pessoas que cuidam e produzem biomassa”, disse Maria Helena Semedo, diretora-geral adjunta da FAO para Clima e Recursos Naturais. Ela explicou que isto envolve agricultores familiares, silvicultores e pescadores, que também “possuem conhecimentos importantes sobre como gerir recursos naturais de forma sustentável”.

A diretora da FAO destacou que a agência trabalha com Estados membros e outros parceiros nos setores convencionais da bioeconomia – agricultura, silvicultura e pesca – e também com tecnologias relevantes, como biotecnologia e tecnologias de informação, para atender os setores agrícolas.

“Precisamos promover esforços coordenados internacionalmente e garantir o engajamento de múltiplas partes interessadas nos níveis local, nacional e global”, disse ela, observando que são necessárias metas concretas, meios para cumpri-las e maneiras econômicas de medir o progresso.

Para ela, como a inovação desempenha um papel fundamental na bioindústria, todo o conhecimento – tradicional e novo – deve ser igualmente compartilhado e apoiado.

Alimentando o mundo, salvando o planeta

Embora haja alimento suficiente sendo produzido para alimentar o planeta inteiro, estimativas mostram que cerca de 815 milhões de pessoas ainda sofrem de subnutrição crônica devido à falta de acesso à comida.

“A bioeconomia e o rendimento gerado com a venda de bio-produtos tornam os alimentos mais acessíveis”, pontuou Maria Helena.

Ela também observou que a bioeconomia tem potencial para contribuir na questão das mudanças climáticas, mas fez um alerta contra a simplificação: “Só porque um produto é bio não significa que seja bom para as mudanças climáticas; tudo depende de como é produzido e, em particular, a quantidade ou tipo de energia utilizada no processo”.

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