Povo Xavante abre sua aldeia aos visitantes (VÍDEO)

Uma comunidade de índios do povo Xavante, no Mato Grosso, em parceria com uma agência de turismo, abriu sua aldeia aos visitantes interessados em conhecer e aprender um pouco sobre a cultura indígena e também para gerar renda para a tribo, que tem cerca de 600 habitantes.


Sputnik

A região é o maior pedaço de terra Xavante existente hoje no Brasil. A comunidade é muito tradicional, se autodenomina de povo verdadeiro — Auwê Uptabi — e o português é pouco falado. 


Tribo Xavante se prepara para ritual
Tribo Xavante | Acervo/Ambiental Turismo

A mais recente experiência Xavante com visitantes foi realizada entre os dias 6 e 12 de julho. Foram 5 dias e 4 noites, durante os quais 15 turistas se hospedaram na Aldeia de Etenhiritipá, no Mato Grosso, próximo à Serra do Roncador e do Rio das Mortes, na região do município de Canarana.

Segundo a Ambiental Turismo, responsável pelo programa, cada visitante pagou R$ 3.900 à agência pelo pacote turístico, que repassa R$ 750 por visitante para a tribo. O turista recebe um comprovante do depósito feito para os Xavantes.

A Ambiental Turismo informou que a vivência exige uma infraestrutura considerável, pois a aldeia fica em local remoto. "Contamos com carros de apoio, transporte e preservação de alimentos, a presença de profissionais como cozinheira e a equipe que acompanha o grupo. Montamos algumas estruturas especialmente para receber os turistas com conforto e sem um impacto ambiental para o local", revelou a empresa.

A aldeia de Etenhiritipá é uma das aldeias do território indígena Pimentel Barbosa, que possui 15 aldeias independentes, com uma população total de 3.200 habitantes.

Impressões da visita

Sputnik Brasil conversou com um dos turistas que vivenciaram o dia a dia da tribo, o professor Aldo Monteiro. Ele explicou o que o motivou para passar por uma vivência como essa junto aos índios Xavante e quais foram as suas impressões.

"Foi uma maneira de conhecer um pouco mais a cultura Xavante. O que de fato aconteceu. E foi algo muito valioso", garantiu o interlocutor da Sputnik.

"A aldeia não mudou o seu ritmo cotidiano em função de nós, turistas. Nós é que nos adaptamos à comunidade, às suas tarefas, aos seus rituais, danças, ao ritual de corrida e ao ritual de formação de jovens", explicou.

"Ficamos acomodados em uma oca grande, dormimos em rede, tomamos banho no rio. A única coisa diferente era a alimentação. Nós não tínhamos contato com alimentação deles e eles não tinham com a nossa, para não ter contaminação de costumes".

"Deu para sentir bastante o dia a dia da aldeia e ter uma ideia bem precisa de como eles vivem", afirmou Aldo Monteiro.

Segundo ele, durante as conversas com o Cacique e outros índios foi possível sentir e constatar as diferenças entre as culturas. Para Monteiro, os conceitos de posse e amor, por exemplo, eram percebidos de formas muito variadas pelos índios e pelos turistas.

"Eles têm uma forma mais despojada de ver o mundo e a vida", afirmou o professor.

No entanto, essas diferenças não pareceram ser uma barreira. Na verdade, segundo o membro do grupo de visitantes, a conversa sempre fluiu bem.

"Sempre se encontra uma maneira de se comunicar. Eles são muito solícitos. Não aconteceu nenhuma dificuldade. Achei tudo muito positivo", concluiu ele, que acha importante esse modelo de turismo, pois ajuda de uma forma sustentável na subsistência da tribo.

"É importante conhecer de perto. A gente sempre fica com uma visão estereotipada do índio que vemos nos livros escolares. E na verdade não é isso. Eles são donos de uma cultura muito profunda e muito séria. Devemos vivenciar isso ao vivo, com eles. Trocando essas experiências e vivendo o cotidiano deles. Seria muito importante se cada um pudesse vivenciar isso para dar mais valor a essa cultura que acabamos deixando de lado no nosso cotidiano".

Convite aos não-índios

Os registros dos primeiros contatos dos Xavantes com outras culturas são datados do século 18, com a chegada dos Bandeirantes que estavam em busca de ouro no centro-oeste do país. A partir daí, de forma contínua, a tribo teve que se deslocar das regiões que povoava e, na década de 1940, decidiu que precisaria se adaptar à convivência com outros povos se quisessem continuar a habitar o bioma do cerrado. Nesta época, os Xavantes já estavam chegando bem perto do limite com a Floresta Amazônica.

O Cacique Jurandir, líder da tribo, foi um dos 8 jovens que foram enviados para o meio urbano para aprender seus costumes, posturas, linguagem e política. Ao retornar para a tribo, ele repassou todos esses ensinamentos ao seu povo, que foi abrindo os caminhos até chegar a essa abertura turística da aldeia.

Desde então, ele tem trabalhado para expandir essa ideia. Ele narra o seu caminho, explica como funciona o processo para o seu povo e deixa um convite para a visita de sua aldeia no vídeo publicado a seguir.


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